Uma criança ansiosa

 Eu não me lembro bem qual foi a primeira vez que me senti ansiosa, mas talvez como uma inocente criança eu nem saberia o real significado da palavra ANSIEDADE e o quanto isso afetaria minha vida adulta.

Na minha fase de criança,  trago relatos pra vocês: eu vivia uma vida normal, minha família era composta por 4 pessoas: meu pai, minha mãe, meu irmão mais velho e eu. 

Veja bem, dando um ''play'' na linha do tempo, eu era uma criança hipocondríaca, sabe-se lá por qual motivo, mas eu tinha muito medo de doenças graves e de morrer,  e eu nem sabia o que era morrer, tão pouco havia perdido alguém próximo (exceto meus animais de estimação) e talvez isso tenha resultado em uma sensibilidade quando o assunto era morte. Se eu caía:  '' mãe, estou com dor aqui, tem perigo?''. Qualquer sensação fora da minha -infantil- normalidade era motivo para eu indagar minha mãe se eu corria perigo, fora as ocasiões em que eu colocava a mão no meu coração para saber se realmente ele estava batendo. Essa era eu e minhas preocupações aos 4 anos de idade. Sim, e ansiedade é assim, achar que corre perigo o tempo inteiro, e também achar que você vai morrer por isso, ou que algo ruim vai te acometer. 

Passaram-se alguns anos, uns 2, ou 3 anos, e eu deveria ter meus 6 ou 7 anos de idade, e eu como criança tive minha primeira insônia. Eu havia ido para igreja, gasto muita energia brincando, voltado a pé com minha mãe, meu tio e a esposa dele, mas mesmo assim ao tentar dormir, fiquei bem inquieta e lembro da dificuldade que senti para dormir. Fiquei tão incomodada e impressionada com a sensação de não conseguir dormir e rolar na cama,  que nunca me esqueci dessa noite. 

Mas ansiedade, dessas que faz a gente se sentir mal, patológica, que desperta algo estranho no cérebro veio com aproximadamente 10 anos de idade: o dia que me dei conta, e que tive a certeza de que nascemos para ir embora desse mundo. Fiquei pensando nisso, e fiquei bem incomodada, até mesmo desanimada. Tive medo da morte, medo de perder as pessoas que amava, e quando me vi, eu estava tentando definir qual seria a expectativa media de vida do ser humano, e contabilizando quanto tempo eu teria para viver. Fiquei pensando no meu futuro, no determinismo da vida: haveria uma data, uma hora marcada, uma roupa separada, haveria um tempo para tudo. Pensar assim me fez sentir muito mal. Ah, eu fiquei bem reflexiva durante dias, e dormir pra mim se tornou algo bem incomodo, porque eu tinha medo dos caminhos que meu cérebro traçava e das conclusões que ele eventualmente chegava. 

Gente, por mais que a morte seja uma certeza na vida de todo mundo, um cérebro saudável não vai ficar se atendo nessa condição, a ponto de deixar a mente doente, ansiosa e inquieta. Uma mente saudável vive um dia de cada vez, e deixa para cada um dele o seu próprio mal. Uma mente doente vive e revive os dias ruins: tanto quando ela teme o dia mal, mesmo não tendo motivos pra isso, quanto quando se torna necessário lidar com o dia mal.  Por isso é tão ruim ser ansiosa e lidar com as aflições que a ansiedade traz: ela nos faz deixar de viver um dia bom, porque nos preocupamos com as dificuldades que PODEM ocorrer no amanhã.

Imagine só, como seria viver conhecendo o amanhã. Eu agradeço a Deus por nem tudo sobre o amanhã ser revelado. Gente, o segredo de tudo é viver um dia de cada vez. Mesmo com tantos problemas, indeterminações, má noticias, viva um dia de cada vez. Nada nessa vida é previsível, tampouco certo. Então viva e quando necessário, preocupe-se e tenha forcas para lidar com a adversidade. Sei que é difícil, mas não é necessário temer os dias e nem as circunstâncias, mas é preciso ter força e motivação, que aliás, uma hora eu trago uma postagem sobre motivação.  Mas de curto modo, quem somos diante das barreiras diz muito sobre o quanto precisamos aprender. 
De repente você chegou até aqui pensando em desistir, e eu digo, não desista. Sei que que os sintomas da depressão são terríveis, que acordar se torna difícil, mas veja, por mais difícil que seja de acreditar, é o seu cérebro que precisa de atenção. Ele está doente e não é seguro confiar nele, por isso no menor dos sintomas de desânimo com sua vida procure ajuda, tanto de um familiar, uma pessoa querida próxima, quanto de um médico, e saiba: você não está só, eu já passei por situações de desânimo total, e digo: NÃO DESISTA. VAI PASSAR

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